Por Dr. Chady Satt Farah

O que é Pré-Diabetes?
O pré-diabetes é uma condição em que os níveis de açúcar (glicose) no sangue estão acima do normal, mas ainda não são suficientemente elevados para caracterizar diabetes.
Ele funciona como um sinal de alerta do organismo, indicando que a insulina está começando a perder eficiência, uma situação conhecida como resistência à insulina.
Na maioria das vezes, o pré-diabetes não causa sintomas, sendo identificado apenas através de exames laboratoriais.
Sem tratamento, muitas pessoas podem evoluir para diabetes tipo 2 ao longo dos anos. No entanto, mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física regular e perda de peso quando necessária, podem reduzir significativamente esse risco.
Por isso, identificar o pré-diabetes precocemente é uma oportunidade importante para prevenir complicações futuras e preservar a saúde.
Como prevenir o pré-diabetes?
A prevenção do pré-diabetes e do diabetes tipo 2 está baseada principalmente em hábitos saudáveis que melhoram a ação da insulina e ajudam a controlar o peso corporal.
1. Mantenha um peso saudável
Mesmo uma perda de 5% a 10% do peso corporal pode reduzir significativamente o risco de desenvolver diabetes.
2. Pratique atividade física regularmente
Procure realizar pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada, como caminhada, bicicleta, natação ou dança.
3. Cuide da alimentação
Priorize:
* verduras e legumes * frutas inteiras * grãos integrais * feijões e leguminosas * proteínas magras
Reduza:
* refrigerantes * doces * ultraprocessados * excesso de farinha refinada
4. Combata o sedentarismo
Além do exercício programado, tente permanecer menos tempo sentado durante o dia.
5. Durma bem
Dormir regularmente entre 7 e 9 horas por noite ajuda no controle hormonal e metabólico.
6. Controle o estresse
O estresse crônico pode favorecer ganho de peso, aumento da glicemia e resistência à insulina.
7. Faça exames periódicos
Pessoas com excesso de peso, histórico familiar de diabetes, hipertensão, colesterol elevado ou síndrome dos ovários policísticos devem realizar acompanhamento médico regular.
O que mostram os estudos?
O estudo clássico Diabetes Prevention Program demonstrou que mudanças intensivas no estilo de vida reduziram o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 em cerca de 58%, resultado superior ao obtido com medicação isoladamente em muitos pacientes de alto risco. Esse achado foi confirmado por acompanhamentos de longo prazo e por diversas revisões sistemáticas. A qualidade da evidência é considerada alta.
O que é resistência à insulina?
A resistência à insulina ocorre quando as células do organismo passam a responder menos à ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que permite a entrada da glicose nas células para ser utilizada como fonte de energia.
Para compensar essa dificuldade, o pâncreas produz quantidades cada vez maiores de insulina. Durante algum tempo, esse aumento consegue manter a glicose em níveis normais. Porém, com o passar dos anos, o organismo pode não conseguir compensar adequadamente, levando ao surgimento do pré-diabetes e, posteriormente, do diabetes tipo 2.
A resistência à insulina pode afetar vários tecidos do corpo:
* Músculos: diminui a entrada de glicose nas células musculares. * Fígado: aumenta a produção de glicose pelo organismo. * Tecido adiposo: favorece a liberação de ácidos graxos e substâncias inflamatórias. * Sistema nervoso central: pode interferir nos mecanismos de fome, saciedade e controle do peso corporal.
Os principais fatores associados à resistência à insulina são:
* excesso de gordura abdominal; * sedentarismo; * predisposição genética; * sono inadequado; * envelhecimento; * síndrome dos ovários policísticos; * alimentação rica em ultraprocessados.
Por que ela é importante?
A resistência à insulina está na base de diversas condições metabólicas, incluindo:
* pré-diabetes; * diabetes tipo 2; * obesidade visceral; * esteatose hepática (“gordura no fígado”); * hipertensão arterial; * aumento do risco cardiovascular.